'Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava. Acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis'

27 outubro, 2008

Sobre os domingos à noite

Claudio Naboni

.
.
.
A hora da partida soa quando
escurece o jardim e o vento passa,
estala o chão e as portas batem,
quando a noite cada nó em si deslaça.
.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
como se tudo nelas germinasse.
.
Soa quando no fundo dos espelhos
me é estranha e longínqua a minha face
e de mim se desprende a minha vida.
.
.
[Sophia de Mello Breyner]
[Foto: Claudio Naboni]
.
.
.

5 comentários:

diana disse...

Sophia de Mello Breyner teve o grande dom de transmitir sensações tão reais como as de este poema.

canelita disse...

Sempre detestei as horas da partida. Sempre me causaram grande sofrimento e imensa anciedade.
Hoje em dia tenho tido poucas, mas continuam a desprender a minha vida de mim...seja para ficar com quem fica ou para partir com quem vai.

Andreia Ferreira disse...

ou para nos partir aos bocados... beijinho :)

outro para ti, diana!

as velas ardem ate ao fim disse...

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin


um bjo

Andreia Ferreira disse...

muito bonito o poema :) *

Arquivo do blogue