'Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava. Acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis'

06 novembro, 2007

Confissão


trago-te comigo na emenda dos dias
construo sorrisos sobre a linha dos teus cabelos
mapas de momentos felizes
na imagem do teu corpo
sobre a minha pele
numa viagem de ilusões




Tenho aquela que me olha e que olho
e misturamo-nos como brisas e
silêncios e digo tenho aquela que
me vê e ela olha-me e tudo o
que somos é uma partilha uma
mistura e digo diz e aquela que
tenho beija-me num olhar e num
silêncio que não posso dizer

[José Luís Peixoto]
[Fotos: katia chausheva]

14 comentários:

Vítor Sousa disse...

Agradeço-te pelos elogios, no Blogue das Artes. Agradável descoberta, este teu espaço.

Maria del Sol disse...

"construo sorrisos sobre a linha dos teus cabelos". Sublime.

Um amigo meu diz, e eu subscrevo totalmente, que Peixoto é o Pessoa deste século. Um Pessoa menos misógino, na medida em que não teme mostrar todas as suas vulnerabilidades emocionais.

Gostei do teu blog, voltarei aqui em breve.

Beijinhos!

Andreia Ferreira disse...

Vitor:
Não precisas de agradecer. Foram palavras sinceras.

Maria:
Nunca tinha pensado nas coisas dessa forma, feito essa comparação. Mas acho que concordo totalmente. E sabes que até gosto mais do Peixoto do que do Pessoa (e olha que gosto muito dele). É mais informal, mais intenso e sim, mostra mais as suas vulnerabilidades, logo mostra-se mais :)
Obrigada pela visita. Aguardo então o teu regresso! :)

Abssinto disse...

Já tenho dito um pouco por toda a parte que o José Luís Peixoto é muito mais feliz na poesia do que na prosa (para mim, óbvio). O que aqui nos deixaste é muito bom. E o sentimento que ele transmite.

bj

Andreia Ferreira disse...

Abssinto:
Eu acho que ele é muito bom nas duas coisas, porque escreve em prosa, a poesia continua lá - falta apenas a forma. Mas é também só a minha opinião, claro :)

Beijo!

Por entre o luar disse...

Lindo:)

Adorei...ainda bem k voltas-te confesso que ja tinha muitas saudades destes teus posts doces e que nos fazem voar para outras dimensões..

Beijo**

Vanessa disse...

ai... andreia e peixoto no esplendor da doçura... sabes o que isto me faz lembrar? sabes, sabes? :D uma certa tarde soalheira de domingo na melhor companhia e aquela voz a embalar duas crentes que foram em busca do homem por detrás das palavras... e que surpresa tãoooooo boa! :)

beijinho grandeeeee*

V disse...

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luis Peixoto

PJ: disse...

Mas que belo blogue descobri hoje, excelente qualidade!

Líndissimos textos e imagens de bom gosto, parabéns e continua!

Descobre-me (também) aqui: http://avidairresistiveldepedro.blogspot.com/

Beijos,

Pedro José :)

Maria del Sol disse...

Obrigada por me adicionares aos links, também já estás na minha lista de visitas habituais :)

Beijinhos

PostScriptum disse...

É óbvio que o que o JLP escreveu saiu da alma. Só assim é possível atingir a beleza.
Beijo, menina dos olhos d´água.

Andreia Ferreira disse...

Por entre o luar:
Outro para ti! :)

Vanessa:
Sim, foi uma confirmação tão boa! E não te fará lembrar também o livro que me emprestaste? ;) Eh eh eh!

V.:
Ai... Não sabes o significado que esse excerto tem para mim..........

Pedro:
Obrigada! Já te visitei. E agora vou adicinar-te aos meus links :)

Maria:
:)

Postscriptum:
Sim, ou ele não seria o escritor que é!

Um beijo grande a todos!

Mateso disse...

A cumplicidade das sensações.
Frémito exalados em sentires.
Belo!
Bjs.

Andreia Ferreira disse...

Mateso:
Obrigada querida! Beijinho!

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