'Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava. Acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis'

07 janeiro, 2009

Do lado de cá da noite, o sonho

Lina Sheynius
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abrir os olhos e não estar a dormir.
desimpedir-te a porta,
despir o amor,
tirar os pés do chão.
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05 janeiro, 2009

There is nothing to worry about

Helen Breznik
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Só tens duas coisas com que te preocupar: se estás vivo ou se estás morto. Se estás morto, não há nada a fazer e por isso não tens com que te preocupar. Se estás vivo só tens duas coisas com que te preocupar: se tens saúde ou se estás doente. Se tens saúde não tens nada com que te preocupar. Se estás doente só tens duas coisas com que te preocupar: se tem cura ou se não tem cura. Se tem cura não tens nada com que te preocupar. Se não tem cura só tens duas coisas com que te preocupar: se quando morreres vais para o céu ou para o inferno. Se fores para o céu não tens nada com que te preocupar. Se fores para o inferno também não porque vão lá estar todos os teus amigos.
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[Lido numa pensão em Florença. Saudades de Itália.]
[Foto: Helen Breznik]
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04 janeiro, 2009

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'We are all basically alone'
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28 dezembro, 2008

Solidões


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[Lars and the Real Girl, de Craig Gillespie]
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[Quatro noites com Anna, de Jerzy Skolimowski]
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12 dezembro, 2008

Eu, as flores, o sol, aos teus pés

Photobucket
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E eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo no Rudy e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e a ir ao Florent beber café à meia-noite e tu a roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa da televisão que vi na noite anterior e levar-te ao oftalmologista e não rir das tuas piadas e querer-te de manhã mas deixar-te dormir um bocado e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo dos teus olhos dos teus lábios do teu pescoço dos teus peitos do teu rabo do teu
e sentar-me nos degraus a fumar até o teu vizinho chegar a casa e se sentar nos degraus a fumar até tu chegares a casa e preocupar-me quando estás atrasada e ficar surpreendido quando chegas cedo e dar-te girassóis e ir à tua festa e dançar até ficar todo negro e pedir desculpa quando estou errado e ficar feliz quando me desculpas e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele e ficar assustado quando estás zangada e um dos teus olhos vermelho e o outro azul e o teu cabelo para a esquerda e o teu rosto para oriente e dizer-te que és lindíssima e abraçar-te quando estás ansiosa e amparar-te quando estás magoada e querer-te quando te cheiro e ofender-te quando te toco e choramingar quando estou ao pé de ti e choramingar quando não estou e babar-me para o teu peito e cobrir-te à noite e ficar frio quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes e derreter-me quando sorris e desintegrar-me quando te ris e não compreender porque é que pensas que eu te estou a deixar quando eu não te estou a deixar e pensar como é que tu podes achar que eu alguma vez te podia deixar e pensar quem tu és mas aceitar-te na mesma e contar-te sobre o rapaz da floresta encantada de árvores-anjo que voou por cima do oceano porque te amava e escrever-te poemas e pensar porque é que tu não acreditas em mim e ter um sentimento tão profundo que para ele não existem palavras e querer comprar-te um gatinho do qual teria ciúmes porque teria mais atenção que eu e atrasar-te na cama quando tens de ir e chorar como um bebé quando finalmente vais e ver-me livre das baratas e comprar-te prendas que tu não queres e levá-las de volta outra vez e pedir-te em casamento e tu dizeres não outra vez mas eu continuar a pedir-te porque embora tu penses que eu não estou a falar a sério eu estou mesmo a falar a sério desde a primeira vez que te pedi e vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti e querer aquilo que queres e achar que me estou a perder mas saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos e responder às tuas perguntas quando deveria não o fazer e dizer-te a verdade quando na verdade não o quero e tentar ser honesto porque sei que preferes assim e pensar que acabou tudo mas ficar agarrado a apenas mais dez minutos antes de me atirares para fora da tua vida e esquecer-me de quem eu sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira de alguma maneira de alguma maneira transmitir algum do esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante, contínuo e infindável amor que tenho por ti.
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[A melhor tradução que consegui do texto da Sarah Kane, roubada daqui.]
[Foto: Helen Breznik]
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I''ll always be by your side


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'I'll iron your clothes
I'll shine your shoes
I'll make your bed
And cook your food
I'll never cheat
I'll be the best girl you'll ever meet
And for a diamond ring
I'll do these kinds of things
I'll scrub your floor
Never be a bore
I'll tuck you in
I do not snore
I'd wear your black eyes
Bake you apple pies
I don't ask why
And i try not to cry
I'll always be by your side'
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11 dezembro, 2008

O tempo, o castrador do amor

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Chama-se amor a isto:
beber horas roubadas,
no receio constante
de que alguém as descubra
. . . . . (assim se tem cadastro!);
morder com pressa
a polpa dos minutos,
sem lhes sorver o sumo,
sem lhes tirar a casca
. . . . . (assim se apanham úlceras!);
ter este modo brusco
de engolir os segundos,
como se fossem cápsulas
de qualquer barbitúrico
. . . . . (assim se morre às vezes!)
O culpado: este cão
que trazemos bem preso,
todo agarrado ao pulso,
e a que chamamos Tempo.
. . . . . (sempre a ganir de susto.)
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David Mourão-Ferreira
[Imagem: Lina Scheynius]
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